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Tem um cansaço que a cama não resolve. Corpo deitado, mente acesa. É o cansaço emocional: quando passamos dias sustentando o que não dizemos, engolindo pequenos incômodos, cuidando de tudo e de todos — menos de nós. A conta chega em forma de irritação, apatia, esquecimento, vontade de sumir.
Antes de prometer “organizar a vida inteira”, tente mapeamentos simples:
Há diferentes tipos de descanso: físico, mental, sensorial, emocional, social, criativo, espiritual. Se você passa o dia em reunião, talvez precise de descanso sensorial (menos estímulo). Se carrega emoções dos outros, descanso emocional (escrever, chorar, terapia, oração). Se vive no automático, descanso criativo (mexer com as mãos, cozinhar, desenhar). Dormir é fundamental, mas não cobre tudo.
Na psicanálise, a gente repara nos excessos: no “sim” que virou regra, na autoexigência que confunde valor com produtividade. O convite é desatar um nó por vez: dizer um não, adiar o que não precisa ser hoje, pedir ajuda, deixar algo “bom o suficiente”. E sustentar pequenos rituais: água pela manhã, uma pausa sem telas à tarde, uma conversa de verdade na semana.
Se você está exausto(a) há muito tempo, isso merece espaço.
Cuidar de si não é luxo; é base.